O que é o programa Tô Legal?
O programa Tô Legal, instituído em 2019, visa simplificar o processo de licenciamento para comerciantes ambulantes na cidade de São Paulo. Este sistema digital permite que os vendedores solicitem autorizações para operar nas ruas de maneira mais ágil, escolhendo endereços disponíveis em um mapa da cidade. No entanto, o programa tem enfrentado críticas quanto à sua efetividade, especialmente no que diz respeito a áreas comerciais de alto tráfego, como a Rua 25 de Março e o Brás. Muitos vendedores ainda operam sem a devida autorização, permanecendo em condições de informalidade.
Impacto da informalidade nos ambulantes
A informalidade entre os ambulantes causa uma série de problemas, tanto para os trabalhadores quanto para a economia local. Sem a regulamentação, muitos vendedores enfrentam insegurança econômica e a constante ameaça de apreensão de seus produtos. A falta de licenças contribui para a precarização do trabalho, afetando a renda e as condições de vida desses trabalhadores. Além disso, isso gera um ambiente de concorrência desigual, onde aqueles que operam de maneira legal competem com aqueles que não seguem as normas.
Barreiras ao licenciamento em áreas movimentadas
Um dos principais problemas identificados no estudo sobre o programa Tô Legal é que ele bloqueia o cadastro de novos ambulantes em locais estratégicos e de grande circulação. Embora a prefeitura afirme que 70% do território da cidade está disponível para licenciamento, os principais pontos de venda permanecem restritos. Isso significa que os trabalhadores que dependem dessas áreas para sua sobrevivência enfrentam barreiras significativas para se regularizar.

Estudo sobre o comércio ambulante em São Paulo
A pesquisa realizada pela organização Wiego (Women in Informal Employment: Globalizing and Organizing) revelou que a estrutura do Tô Legal está falhando em liberar novas oportunidades de licenciamento nos locais tradicionais do comércio popular. O estudo destaca que, apesar de haver cerca de 5.914 autorizações ativas em São Paulo, um número expressivo de vendedores continua na informalidade. As licenças de 90 dias, por exemplo, não oferecem a estabilidade necessária, gerando insegurança nos trabalhadores.
Declaração da prefeitura sobre autorizações
A Secretaria Municipal das Subprefeituras afirmou que o Tô Legal é um sistema eficiente e que oferece transparência e rapidez na emissão de autorizações, sendo que a média para a liberação é de quatro dias. Além disso, a prefeitura assegura que mais de 115 mil portarias de autorização foram emitidas desde a implementação do programa, um número consideravelmente maior do que as 5.000 TPUs (Termo de Permissão de Uso) emitidos nos 20 anos anteriores ao programa. No entanto, essa alegação é contestada pelos próprios ambulantes, que ainda encontram dificuldades para legalizar suas atividades.
Histórico das licenças de ambulantes
Historicamente, as licenças para ambulantes em São Paulo têm refletido uma abordagem conservadora sobre o comércio informal, em que a informalidade é vista como uma fase transitória. Contudo, a realidade demonstra uma permanência desta condição, por conta das estruturas rígidas de licenciamento que não atendem à demanda existente. As autorizações disponíveis incluem diferentes tipos, como as portarias de comércio e prestação de serviços e as TPUs específicas para comércio de alimentos e serviços porta a porta.
Visão dos trabalhadores sobre o sistema
Os trabalhadores ambulantes têm expressado sua frustração em relação ao sistema Tô Legal. Laís, uma ambulante que vende roupas nas ruas do Brás, relata suas experiências em tentar se regularizar pelo programa. De acordo com ela, “o Tô Legal sempre foi uma barreira, e muitas ruas estão bloqueadas”. Essa percepção é compartilhada por muitos outros vendedores, que se sentem injustamente penalizados pelas limitações do sistema, mesmo após tentarem obter a licença.
Dificuldades enfrentadas pelos ambulantes
A precariedade das licenças temporárias e a rigidez na fiscalização são alguns dos principais obstáculos enfrentados pelos ambulantes. Mesmo aqueles que conseguem obter uma autorização podem ser alvo de apreensões e multas sem aviso prévio, o que aumenta o clima de incerteza em torno da atividade. A falta de diretrizes claras para a atuação dos fiscais contribui para um ambiente de arbitrariedade, onde as regras não são aplicadas de forma consistente.
Alternativas para regularização do comércio
Para que os ambulantes consigam se regularizar e operar de maneira legal, é crucial que a legislação seja revista e que haja maior flexibilidade no sistema de licenciamento. A criação de zonas de comércio ambulante, onde os trabalhadores possam atuar sem o medo de apreensões, e a ampliação do número de licenças permanentes são alternativas que podem ajudar a transformar essa realidade. Além disso, programas de capacitação podem fortalecer a formação dos trabalhadores, permitindo que eles se adaptam às exigências do comércio formal.
Cenários futuros para os ambulantes em SP
O futuro do comércio ambulante em São Paulo depende da reavaliação das políticas públicas que regulam esta atividade. A intenção de tornar a cidade mais organizada não pode cair na armadilha de excluir trabalhadores que, apesar de tudo, contribuem para a economia local. A busca por uma solução justa deve ser uma prioridade, permitindo que esses trabalhadores possam conquistar seus direitos enquanto atendem às demandas do consumidor.
Com cerca de 110 mil ambulantes atuando na capital, a informalidade não pode ser ignorada, e a criação de um ambiente regulatório que valorize e normalize o comércio de rua é essencial para garantir a dignidade e a segurança dos trabalhadores e o desenvolvimento econômico sustentável da cidade.