Contexto do Caso
O Bosque dos Salesianos, situado em uma área de aproximadamente 7 mil metros quadrados na zona oeste de São Paulo, tornando-se um ponto focal de controvérsia entre grupos de preservação ambiental e desenvolvedores imobiliários. O local, anteriormente pertencente à Universidade Salesiana, foi adquirido pela construtora Tegra em 2024, com planos de desenvolver um empreendimento imobiliário que inclui a construção de duas torres.
Decisão do Tribunal
No dia 1.º de outubro de 2026, o Tribunal de Justiça de São Paulo deliberou a favor da realização das obras no Bosque dos Salesianos. O julgamento envolveu a análise de um recurso apresentado pelo Ministério Público, que buscava suspender a autorização para o corte de 118 árvores na área, realizado pela construtora. A decisão da Segunda Câmara de Direito Ambiental do tribunal considerou válida a documentação legal que autorizava a derrubada, rejeitando o recurso do Ministério Público e validando o Termo de Compromisso Ambiental (TCA) fornecido pela Prefeitura.
Impacto Ambiental da Construção
A decisão do tribunal tem implicações significativas sobre o ambiente local. A derrubada das árvores levantou preocupações entre ambientalistas e residentes da área sobre as consequências para a biodiversidade e para o microclima local. O Coletivo Bosque dos Salesianos, que tem como meta a preservação da área, argumenta que o bosque desempenha um papel crucial na drenagem das águas pluviais, prevenindo inundações em áreas adjacentes que já sofrem com esse tipo de problema.

Reações da Comunidade Local
A decisão gerou forte reação entre moradores e grupos ambientalistas. O Coletivo Bosque dos Salesianos informou que mais de 57 mil pessoas assinaram um abaixo-assinado em defesa da conservação do bosque, expressando indignação com a decisão do tribunal. Eles afirmaram que a decisão ignora os apelos pela proteção ambiental em um contexto de emergência climática.
Histórico do Bosque dos Salesianos
O Bosque dos Salesianos é uma das últimas áreas verdes significativas na região do Alto da Lapa. Nos últimos anos, a crescente urbanização e a pressão imobiliária têm transformado a paisagem local, levando à perda de áreas verdes. A parte do bosque que está sob disputa continha não apenas árvores nativas, mas também espécies exóticas e invasoras. A implementação de projetos imobiliários nesta área tem suscitado debates sobre a necessidade de um equilíbrio entre desenvolvimento urbano e preservação ambiental.
Pontos de Vista Contrários
Os desembargadores que votaram contra o recurso afirmaram que a área possui uma quantidade de vegetação exótica superior à nativa, indicando que a importância ecológica do espaço poderia ser menos significativa do que a alegada pelos opositores ao projeto. Um dos desembargadores mencionou que a legislação ambiental vigente considerava a vegetação como patrimônio, mas que não distingui claramente entre espécies nativas e exóticas, levantando críticas sobre a interpretação da lei.
Autorização para Corte de Árvores
O Termo de Compromisso Ambiental (TCA) assinado pela construtora com a Prefeitura incluiu a autorização para o corte das 118 árvores no local, que são compostas por espécies nativas, exóticas e invasoras. Além disso, a Tegra se comprometeu a plantar 1.799 mudas de espécies nativas, aumentando a vegetação na área, mas a eficácia desse tipo de compensação é um tema debatido entre especialistas.
Responsabilidades da Construtora
A Tegra, conforme o acordo ambiental, deve não apenas restaurar áreas da vegetação nativa, mas também fazer investimentos em melhorias urbanas e revitalização de praças na vizinhança. A empresa buscava se resguardar legalmente, afirmando que tinha todas as autorizações necessárias para prosseguir com suas operações e que o empreendimento traria benefícios econômicos à região.
Compromissos Ambientais Assumidos
Os compromissos assumidos pela Tegra no TCA incluem a replantação de mudas e investimentos em iniciativas de recuperação urbana. No entanto, críticos questionam a verdadeira eficácia dessas promessas, considerando que a perda imediata da vegetação arbórea pode ter repercussões ambientais de longo prazo que as intervenções planejadas podem não conseguir mitigar.
Próximos Passos Jurídicos
A possibilidade de novos recursos legais por parte do Ministério Público ainda se mantém, uma vez que a decisão do Tribunal ainda não foi publicada formalmente. A administração pública municipal, conforme comunicados, está aguardando a formalização da publicação da decisão para tomar as próximas ações. Comunidades e grupos de preservação ambiental permanecem vigilantes, prontos para mobilizar novas ações ou campanhas para contestar a decisão e chamar a atenção para a importância da preservação ambiental frente ao desenvolvimento urbano.


