Motivos do Protesto
Na tarde do dia 4 de setembro de 2026, uma manifestação aconteceu nas dependências da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), situada na Lapa, zona oeste de São Paulo. Esta mobilização envolveu estudantes e pesquisadores que expressaram seu descontentamento em relação às novas diretrizes da Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior (Bepe). O principal pedido foi a revogação dessas novas regras, que incluem limitações rigorosas que dificultam o planejamento da pesquisa acadêmica, além da exigência de maior transparência por parte da Fapesp.
O que Mudou nas Regras
As mudanças nas regras, anunciadas pela Fapesp em 26 de agosto e que começaram a valer em 1º de setembro, incluem:
- **Fim do sistema de fluxo contínuo**: As bolsas para alunos de Iniciação Científica (IC) e mestrado não serão mais disponibilizadas de forma contínua.
- **Limitado a seis meses**: O tempo máximo para a realização de estágios no exterior para doutorados diretos e doutorados foi reduzido de 12 para seis meses, onde uma prorrogação adicional dependerá de uma análise rigorosa.
- **Corte na bolsa de pós-doutorado**: Pesquisadores em pós-doutorado não poderão mais receber cerca de 50% do valor da bolsa nacional ao estarem no exterior, resultando em uma perda mensal significativa.
Impactos para Estudantes
A implementação dessas novas normas trouxe consequências diretas para os estudantes. Por exemplo, Tayná Moraes, uma aluna de Iniciação Científica da USP, relatou que a mudança afetou seus planos de extensão acadêmica. Ela se preparava para solicitar uma extensão da bolsa nacional coincidentemente no dia em que as novas regras entraram em vigor. O fim do sistema de fluxo contínuo e a limitação de prazos obrigaram muitos pesquisadores a rever seus planos e adaptações em suas pesquisas, o que, segundo ela, compromete a qualidade dos trabalhos acadêmicos.

A Resposta da Fapesp
Em comunicado publicado após o protesto, a Fapesp afirmou que as alterações nas regras se desassociam de cortes orçamentários, defendendo que foram “ajustes necessários para garantir a saúde financeira da fundação a longo prazo”. O órgão também destacou que as despesas com bolsas individuais tinham alcançado 58% do orçamento total, muito acima da média histórica. Apesar do aumento no número de bolsas concedidas, a Fapesp considera essencial priorizar os pesquisadores mais adiantados em sua trajetória acadêmica para os estágios internacionais.
Depoimentos de Pesquisadores
Os integrantes do movimento criticaram a falta de diálogo da Fapesp e a ausência de representação dos manifestantes. O estudante Ídris Paes, diretor do DCE da USP, destacou que o não atendimento às reivindicações reforça a insatisfação dos acadêmicos. O descontentamento é notório, com pesquisadores expressando preocupações sobre o impacto que essas regras podem ter em suas carreiras. Muitos projetavam pesquisas de um ano no exterior e agora se viram forçados a ajustar seus cronogramas sem aviso prévio.
Importância da Transparência
A exigência de maior transparência orçamentária na gestão das bolsas veio à tona durante o protesto. Os manifestantes exigem não apenas a reversão das mudanças impostas, mas também uma prestação de contas clara sobre como os recursos estão sendo alocados pela Fapesp. Eles defendem que é fundamental ter acesso às informações financeiras para entender melhor as prioridades da fundação e assegurar que todos os pesquisadores tenham acesso equitativo às oportunidades de fomento.
Repercussão nas Redes Sociais
Nas plataformas digitais, o descontentamento gerou discussões intensas. A hashtag do protesto ganhou ampla repercussão, com estudantes e investigadores compartilhando seus relatos sobre os efeitos negativos das mudanças. Muitos usaram as redes sociais como uma plataforma para mobilizar apoio e visibilidade para suas demandas, destacando a importância do suporte coletivo na luta por melhores condições para a pesquisa no Brasil.
Próximos Passos do Movimento
Os manifestantes planejam continuar suas mobilizações e buscam articular futuras ações, incluindo novos atos públicos e a elaboração de um documento com propostas concretas que serão apresentadas à Fapesp. A intenção é manter a pressão para que a fundação reverta as novas regras e retome um diálogo efetivo com a comunidade acadêmica.
Demandas dos Manifestantes
As principais demandas do movimento incluem:
- Revogação das novas regras da Bepe, que impactam drasticamente as bolsas para estágios internacionais.
- Aumento de transparência nas decisões e no uso do orçamento da Fapesp.
- Criação de um canal de comunicação efetivo entre a Fapesp e os representantes da comunidade acadêmica para evitar futuros conflitos.
Visão Geral da Situação Atual
Atualmente, a situação é de impasse entre a Fapesp e os manifestantes. O descontentamento se intensifica e os estudantes e pesquisadores permanecem unidos na luta por mudanças. A falta de diálogo reforça as tensões, e o movimento continua a crescer, alimentado por uma necessidade coletiva de defender a pesquisa científica e seu financiamento justo. O futuro das bolsas de pesquisa a nível internacional na Fapesp permanece incerto, mas o comprometimento dos acadêmicos de lutar por seus direitos é um sinal de esperança na busca por reformas.


